MAIS ACTIVIDADES
BOLETIM
Tamanho do texto:

Ministro brasileiro diz que turismo pode gerar riquezas em Angola

O ministro do Turismo do Brasil, Luiz Eduardo Barretto Filho, afirmou que a actividade tem um grande potencial para gerar riquezas, em Angola. Palestrante do primeiro Fórum Revista Lusofonia, promovido pela Associação dos Empresários e Executivos Brasileiros em Angola (Aebran), quarta-feira, no Hotel Trópico, o ministro veio a Luanda a convite do governo angolano, com quem assina um acordo de cooperação para planeamento, qualificação e gestão do turismo. “A partir da experiência brasileira, certamente poderemos fazer parcerias que possam ajudar o governo angolano a encontrar caminhos”.
Luis Eduardo Barreto Filho detalhou um conjunto de fatores que impulsionou o turismo no Brasil, a partir do primeiro governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva: A criação do Ministério do Turismo em 2003, o Plano Nacional do Turismo, hoje na sua segunda edição, o fortalecimento da parceria com o sector privado que, através de entidades representativas, integra o Conselho Nacional de Turismo.
No ano passado, foi aprovada pelo Legislativo brasileiro e sancionada pelo presidente Lula, a Lei Geral do Turismo, considerada o primeiro marco regulatório da actividade turística no país. “Isso implica segurança para os investimentos externos, segurança tributária e um Ministério com maior poder institucional”.
No Brasil, o turismo ocupa o primeiro lugar entre as actividades, do sector de serviços, que mais trazem moeda estrangeira para o país. Já é o quinto colocado na pauta geral das exportações brasileiras. No ano passado, foram mais de cinco milhões de turistas de várias partes do mundo, representando uma entrada de divisas de USD 6 biliões. Responde por 2,6% do PIB e emprega, hoje, mais de 8,5 milhões de pessoas, entre empregos formais e sazonais.
As janelas de oportunidade para o desenvolvimento de turismo, a exemplo da Copa do Mundo em 2014, no Brasil, e do CAN-2010, em Angola, também foram citadas pelo Ministro, devido ao grande fluxo de turistas que serão atraídos para assistir aos jogos. Nas 12 cidades brasileiras que a FIFA escolher para sediar as disputas, o governo brasileiro vai intervir com investimento em infraestrutura, transporte público e capacitação profissional.
O mediador do Fórum, ex-secretário de Turismo da cidade de Ilhéus, na Bahia, e gestor de Marketing Nacional da Bahiatursa, durante 15 anos, o jornalista Raymundo Mazzei afirmou que ainda existe um desconhecimento da importância do turismo como atividade econômica. “Trata-se do setor que mais distribui renda. A cadeia produtiva do turismo envolve outras 50 actividades. Ganha a hotelaria, o transporte, a aviação, o comércio e até o rapaz que vende o rebuçado pelas ruas. Além disso, as pessoas juntam dinheiro, o ano inteiro, para gastar nas férias, o que representa divisa para o país”.

Reconstrução beneficia Turismo

Durante o debate, alguns empresários colocaram os problemas de infraestrutura do país, a exemplo de estradas e energia, como entraves para o desenvolvimento do setor turístico e, até mesmo, como um fator que desencoraja os investimentos privados. O ministro brasileiro lembrou que o preço das diárias nos hotéis de luxo de Luanda são bem altos e considerou que as dificuldades não são impeditivas: “No Brasil, o retorno do investimento no setor hoteleiro é de cerca de 12 anos. Conversando com um empresário de dois grandes hotéis, em Luanda, soubemos que ele conseguiu o retorno do capital investido em cinco anos, mesmo com todas as dificuldades”, exemplificou o ministro. 
O presidente da Aebran, Alberto Ésper, observou que, embora não haja nenhum projeto voltado para o desenvolvimento do turismo, o pacote de ações governamentais para reconstrução nacional de Angola é decisivo para o Turismo: “Angola está investindo muito em infraestrutura, em saúde, educação e formação profissional. A conseqüência disto é a criação de condições reais para o desenvolvimento do turismo”.
As dificuldades para obtenção do visto de entrada em Angola, cuja validade é de apenas um mês, também foram pontuadas como entrave para o desenvolvimento turístico. A boa noticia é que o governo brasileiro acaba de estender para um ano o prazo do visto para angolanos em visita ao Brasil. “Na diplomacia existe a política da reciprocidade. Esperamos que, logo, o governo angolano venha responder a esta iniciativa do governo brasileiro. Esse passo é fundamental”, afirmou Ésper.
Diretor da Revista Lusofonia, Alexandre Salsedo, ressaltou o amplo potencial de desenvolvimento do turismo, em Angola, por conta de suas belezas naturais, e conclamou os empresários brasileiros a apostarem no sector. A empresária angolona Maria Madalena Matoso lembrou que, além da capital e das províncias mais conhecidas, o empresariado brasileiro deve olhar para outras localidades como a Província do Zaire e colocou-se como parceira para aqueles que desejarem realizar negócios na região. 
Este foi o primeiro Fórum Revista Lusofonia. Promovido pela Aebran, tem o patrocínio da Revista Lusofonia e da Eurobrape. A intenção é que o evento seja promovido bimestralmente, com temas de interesse do empresariado angolano e brasileiro.